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IGUALDADE, LIBERDADE E FRATERNIDADE
Analogia Entre os Processos de Gestão Empresarial e os Processos de Gestão Acadêmica
Analogia Entre os Processos de Gestão Empresarial e os Processos de Gestão Acadêmica
  A gestão do conhecimento e a gestão do empreendimento têm sido comumente confundidas no ensino através das últimas décadas. Enquanto uma objetiva a modificação da sociedade em que atua para uma melhor compreensão do mundo e de si enquanto grupo e indivíduo, a outra objetiva a consecução da exeqüibilidade do processo administrativo e financeiro. Obviamente as duas finalidades em muitos quesitos se complementam, porém em outros se chocam e se anulam em determinados momentos.
A vida acadêmica deve ser de um constante questionamento das verdades instituídas e um de realinhamento das orientações que formam a base social, reunindo acadêmicos docentes e discentes em torno de pesquisas, debates e postulação de novas compreensões do conhecimento.
  Para que tal importante situação ocorresse, foram criadas entidades mantenedoras deste procedimento acadêmico que poderiam ou não auferir lucros e vantagens que frutificassem destes momentos de depuração dos saberes. Esta entidade mantenedora tem em si necessidade de respeito aos pressupostos da administração financeira, da própria gestão do empreendimento em si, pois deve a todo tempo estar remunerando manutenção de sede, equipe administrativa e satisfação das necessidades dos acadêmicos para que possam levar a bom termo sua importante ação. 
Na importante compilação que faz Silva D.F.A. (2009) no “Quadro 1” fica claro que seu estudo parte do tempo mais próximo e deixa de levar em conta a evolução histórica do conceito educacional partindo dos primórdios da educação e de suas concepções, apreendendo-se no tempo presente para sua analise mais objetiva. Sendo assim, ocorre uma confusão epistemológica já no título, entre gestão acadêmica (própria da academia) e gestão administrativa de entidades mantenedoras do ensino superior. Esta confusão tem causado constantes prejuízos à construção do conhecimento, uma vez que enxerga o discente como alguém que recebe um produto e não alguém que aparece no cenário do conhecimento para sem conhecê-lo testas suas bases e questionar seus princípios realizando uma troca de saberes e uma construção de novos conhecimentos à partir dos antigos.
  Contudo, é importante que estando a sociedade neste novo momento em que este modelo de conhecimento, enquanto produto de um determinado grupo, substitui o modelo em que existe a pressuposição de conhecimento, enquanto bem inalienável e de obrigatória distribuição igualitária por toda humanidade, se torna importante analisar o procedimento de gestão de instituições de ensino superior como tem sido efetivamente utilizado.
  Ao compreender esta administração como algo que entrega conhecimento, não ocorre a percepção de algo com objetivos superiores como a mudança social, a construção de novos saberes e a formação do indivíduo. Sendo assim pretende-se perceber somente como fruto do processo “educacional” se o aluno está recebendo o produto “parcela de saberes já adquiridos pela humanidade” ou não. Dentro deste pressuposto teórico, embora que frágil e de fácil contestação, entende-se que a análise do procedimento tem que ser transitada por uma nova perspectiva onde um protocolo de ações deve ser catalogado e aplicado, em conseqüência disto, um grupo de instrumentos deve ser operacionalizado para realizar a aferição se ocorreu ou não a disponibilização dos conhecimentos como foi  articulado previamente.
Percebe-se utilizando esta linha de raciocínio que a qualidade não está centrada na percepção de evolução do ser humano mas na correta execução de protocolos que incluem apresentação de conteúdos, retorno de protocolo de recebimento dos conteúdos (provas), registro de recebimento dos conteúdos, certificação do discente como tendo passado por um período de apresentação e recebimento destes conteúdos.
Dentro deste enfoque, a visão vertical proposta por Silva D.F.A. (2009) entende o aluno como cliente e a informação e seus protocolos de transito como produto do sistema educativo. Enxergando os departamentos da instituição de ensino como etapas a serem passadas para que este protocolo seja atendido. Não existe foco nem no fim do processo de entrega nem na evolução do ser humano. Como o autor mesmo declara “a necessidade do cliente, não é plenamente conhecida por ninguém na organização”.  Neste modelo, a administração dos protocolos centra seus objetivos distante do processo que por si só já é distante do cliente que não mais é encarado como partícipe ativo da vida acadêmica e sim receptor passivo de uma informação. Longe do ser humano este é o pior modelo de gestão que se apresenta pois não se importa com o fim do processo do sim com a satisfação dos protocolos que foram criados para realizá-lo em princípio.
  Na visão subseqüente que apresenta como melhor opção de gestão “acadêmica”, Silva D.F.A. (2009) observa a necessidade de focar a administração nos processos e não no departamento, o que chega mais perto do discente e sim na efetiva certeza de que o mesmo recebeu sua parcela de informação durante o processo. É natural que aqueles que realizam a gestão dos processos, centrem suas atenções nas execuções que necessitam realizar de forma a não apresentarem “falhas” em sua ação, contudo tampouco percebem que esta ação se distancia cada vez mais do que deveria ser o processo acadêmico. Como exemplo do egocentrismo presente na percepção da educação por parte do gestor educacional cito a frase “ – O gestor consegue visualizar de forma mais clara  a SUA cadeia de valores da SUA organização.”. Silva (2009) consegue traduzir com perfeição o espírito da instituição de ensino superior construída pelos gestores e para os gestores, onde atingem sua zona de conforto e lá se alojam, esperando que o aluno, alguém a que se tem a obrigação de fazer crescer de acordo com a etimologia da palavra vinda do latim, apareça mais como coadjuvante do que como principal figura da educação.
  As bases do ensino superior neste momento são tratadas de forma pouco importantes e os quesitos pesquisa e extensão são secundários ao quesito ensino. Nas gestões citadas sequer ocorre a preocupação do processo extensionista que existe quando o conhecimento transpassa os muros da academia onde docentes e discentes o depuram, e passa a interagir como o mundo real onde produz modificações sociais e efetivas. A “extensão universitária” como é conhecida não faz parte das percepções de qualidade ficando dentro de protocolos de avaliação vazios por parte de órgãos administrativos. A extensão universitária que deveria estar interagindo com  a comunidade que a engloba, realizando transformações e elevando o ser humano exterior a academia, infelizmente nem faz parte das abordagens realizadas neste importante escrito que traduz temporalmente a percepção de educação superior.
  Dentro desta perspectiva e entendendo as digressões do processo levando em conta as verdades postuladas por Silva(2009), muitas vezes em que a gestão horizontal é utilizada em detrimento do foco no processo, a efetiva entrega dos diplomas de formação superior são interrompidas e tem delongas em sua entrega, em função da falta de satisfação de protocolos e não dos objetivos reais da instituição.
Sendo assim, concluo que o modelo de gestão deve estar centrado nos valores que realmente importam, não no processo, nem no departamento , mas sim na efetiva transformação do ser humano e da sociedade que o mantêm .