Aproveitando a citação de Renatus Cartésius, "Ut comœdi, moniti ne in fronte appareat pudor, personam induunt, sic ego hoc mundi teatrum conscensurus, in quo hactenus spectator exstiti, larvatus prodeo" (Como os comediantes chamados ao palco, que têm pudor em revelar seus rostos e usam máscaras, assim eu, no momento de subir ao palco deste mundo, onde até então fui espectador, subo mascarado), lembramos que nossa natureza diversa, conflitante entre a santidade e o pecado, nos obriga a ESCOLHER um lado para militar. Escolher o lado que nos leva a Cristo é o que chamamos em teologia de Cosmovisão Cristã, analisando (não julgando) a tudo e a todos sob a ótica do Cristo, o que Cristo faria aqui e agora nesta situação? Assim também sendo a cultura algo construído pelos homens em herança a suas bases, ela poderá ser construída sob a égide de nossa natureza divina ou sob a égide de nossa natureza pecaminosa, cabe ao homem decidir que natureza ele irá mais alimentar, a de seu lado animal, material, pecaminoso que o afasta de trajetórias sublimes ligadas ao espírito, ou se justamente fará o oposto, rumando para sua natureza mais espiritual, elevada e santa, junto a Deus sob a orientação da Sagrada Escritura. A cultura é parte do processo social e não pode ser alijada do mesmo, contudo, deve ser orientada a grandeza do ESPIRITO e não a submissão à carne.
Em tudo é importante a construção de uma Cosmovisão Cristã de forma a orientar dentro de um mesmo prisma a forma como vemos o mundo, seja na cultura em suas diversas expressões, inclusive na ciência. Estamos em um momento que a diversidade de saberes é imensurável, podemos optar pela assimilação dos que mais nos convém. Como alimentos materiais, os alimentos para a mente e o espírito também devem ser escolhidos entre nocivos e saudáveis, entre os que nos aproximam de nosso objetivo e o que nos afastam.
Para este tema é importante ressaltar que a ciência como a conhecemos hoje é a forma de organizar conhecimentos proposta por um cristão, que postulava “que as verdades reveladas que para lá conduzem (o céu) estão além de nossa inteligência, não me atreveria a submetê-las à debilidade de meus raciocínios, e pensava que, para empreender sua análise e obter êxito, era preciso receber alguma extraordinária assistência do céu e ser mais do que homens.” Sendo assim, precisamos entender que o “pai da ciência” não acreditava podermos entender Deus e a salvação sem a assistência do Espírito Santo.
Renatus Cartésius, viveu no século 16 quando ocorria o auge dos movimentos reformadores iniciados no século 15, entendia a existência de Deus e a proclamava em seus manuscritos, especialmente no seu “Discurso Sobre o Método Para Bem Conduzir a Razão Na Busca Da Verdade Dentro Da Ciência” que apesar de ser a introdução de um livro de Geometria, tornou-se o pilar para a forma como os conhecimentos são organizados no mundo moderno, forma a qual chamamos ciência, sendo assim, que a ignorância seja iluminada pela informação, entendendo que TODA a base da ciência saiu da percepção de Deus, quando esta se afasta da Cosmovisão Cristã, age contra sua própria natureza.
